sábado, 10 de maio de 2008

VIAGEM E AMOR

Contardo Galligaris escreveu na Folha de São Paulo (nov.2007) um paralelo sobre viagem e amor, auxiliado pelo “O Conto da Ilha Desconhecida” de José Saramago. A referência e o que Calligaris esboça são tão complementares que é impossível separar ao longo do texto de quem é a moral. Contudo, acima de tudo, amores e viagens possuem uma mesma alma e uma coisa pode conviver com a outra. Ambas são a descoberta de um desconhecido que nos transformam por dentro. Embora em muitos casamentos as viagens de descobrimento parem, acontecendo por conveniência e talvez levando à separação pela inflação da rotina.Já fiz muitas viagens e com isso tive mudanças, já me apaixonei por pessoas que me fizeram ter um jeito diferente. Em ambas as situações tiveram suas maneiras tranquilas ou violentas. No caso do conto de Saramago a Ilha Desconhecida pela qual procuramos não precisa ser um lugar, pode ser uma pessoa. Sobre a questão das viagens eu penso que estou na reta final para ser tranquilo em meu furor por conhecimento, a cada dia me sinto melhor comigo mesmo pelos lugares por onde andei.
Porém, quando se trata de amor o chão não é tão firme. Não há certezas, insegurança, muitos sacrifícios e o pensamento do quanto tudo isso é válido. As viagens podem ser horríves e você recolhe suas coisas e retorna. É muito mais simples do que enfrentar uma crise de amor. As situações podem ser mais desesperadoras e há a responsabilidade tão pregada pela raposa ao Pequeno Princípe. E ainda, existe também o processo de descobrimento do outro tão imprevisível, mais do que dias initerruptos de chuva em acampamento. "Os outros não são nenhum inferno, são uma viagem. Agora, para amar, como para viajar é preciso ter determinação e coragem", como atesta a moral da coluna de Calligaris e possivelmente o conto de Saramago.
Estou viajando em uma pessoa, com tentações de viver isso plenamente. E tenho uma viagem destas para a Ilha Desconhecida agendada. Penso que as duas coisas são possíveis, pois junto com os dizeres desse próprio texto, elas caminham juntas. Espero pelo inesperado.
Keila Vieira

Nenhum comentário: